domingo, 16 de maio de 2010


O travesseiro já estava molhado depois de horas que as lágrimas escorriam, sem que eu conseguisse controlar. O silêncio tornara minha angústia maior. Não deixava que seu nome fosse embora de meus pensamentos. Os sonhos tentavam dominar-me, eu resistia. Queira esquecer, mas não podia. Tudo a minha volta lembrava você. Aquele perfume era presente em meu olfato. Seus olhos me observavam na escuridão.

Tudo estava em breus. Mas, o que está acontecendo? Há uma luz à minha frente. Ela se aproxima. O que é? Nada mais está escuro, a luz domina meu quarto... quarto? Onde está meu quarto? Não tem nada aqui. É uma sala vazia. “Oi”... o silêncio me responde. “Onde estou” grito. Novamente ele é o único que se pronuncia. Mas aos poucos palavras vão aparecendo nas paredes. Não são palavras quais queres, é uma única palavra. Seu nome. Estão em todos os tamanhos, todas as formas e desenhos. Estes pulsam como se quisessem me agredir. Eu me encolho, ajoelho, tento esconder meu tosto e vozes repetem seu nome. Sei que é um sonho. Mas como sair desse mundo?

Penso em gritar até que meu “eu” verdadeiro desperte. Mas a única coisa que consigo gritar é “me ajude’.

Tudo se silencia. Porém ainda estou sonhando. Ainda estou nessa sala branca, ajoelhada no chão. Alguém me oferece ajuda. Vejo seu sorriso, como esquecer ele? Estendo-lhe a mão em resposta, mas você é arrastado de mim, para longe. E em um piscar de olhos me vejo em uma avenida. Muitos transitam por essa. Vejo um casal vindo em minha direção, vou pedir ajuda. Mas... é você, com outra mulher. Dou um passo para trás e esbarro em um outro casal, e é você novamente. Todos que transitam pela rua são você e uma mulher diferente a cada passo. Todos me ignoram, me esnobam, me esbarram. Eu não existo nesse mundo. No seu mundo. Sou apenas uma qualquer.

Mas estou em meus sonhos. Não nos seus. Isso é uma conspiração de minha mente contra mim. Tenho uma pugna interna, mas estou desarmada. Sei que perderei a batalha.

Fecho os olhos, e agora estou dentro de uma gaiola. Tudo está escuro. Tento diminuir o frio com meus braços. Um holoforte me descobre. Todos riem de mim, me chamam de tola. Tento me esconder, mas não consigo sair do lugar. Todos me olham com pena, mas gargalham de alegria. O momentos é arrepiante. Meu coração acelera.

Tudo passa por minha mente em segundos. Sinto meu rosto molhado, e, ao abrir os olhos, vejo que o me que umedece são as lágrimas em meu travesseiro.

Por Ana Aratfenien

3 comentários:

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Ana, legal o seu Escritora, cujo link já está devidamente postado no meu blog O Cubancheiro.
bjos
Hélio

! Marcelo Cândido ! disse...

Parabéns Ana!!!
Tô seguindo
E Sucesso

Uhu
...

Andre Luis Aquino disse...

Bom visitar um lugar cheio de talento, imaginação e criatividade, seu texto colorido e branco, maravilhoso, parabéns!

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